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Ser pentacampeão do mundo faz mal ao brasileiro

jul 7 • Copa do Mundo, Destaques, TICKERComentários desativados em Ser pentacampeão do mundo faz mal ao brasileiro

Não perdemos para a Bélgica, perdemos para nós mesmos.
Não perdemos para um time que tem uma ótima geração, com jogadores acima da média e jogando nos grandes centros do futebol, perdemos para o goleiro Courtois.
Não perdemos a chance de desdenhar do rival, afirmando que o mesmo havia vencido seleções inexpressivas, deixando de olhar para os nossos rivais e nossos problemas.
Não perdemos para o adversário, perdemos para os nossos próprios equívocos.
Não perdemos mais um Mundial, apenas adiamos pela quarta vez o grito de campeão.
Não perdemos a empáfia mesmo no momento de dor e frustração.
Não perdemos a convicção de que o futebol foi inventado pelos ingleses, mas a certeza de que os únicos a jogarem esse esporte em alto nível somos nós.
Não perdemos a vaga para a semifinal da Copa do Mundo, o Mundial é que perdeu a chance de ver o Brasil estrelar seu futebol maravilhoso nas finais.
Não perdemos a oportunidade de tirar um sarro dos argentinos, alemães, espanhóis e portugueses, criticando a forma covarde que jogaram e perderam.
Não perdemos a chance de subestimar, de novo, um adversário e amargar uma eliminação.
Não perdemos a chance de debochar das grandes estrelas mundiais e crer de forma convicta e arrogante de que só aqui brotam craques.
Não perdemos a chance de fazer canções contra os rivais, em especial os argentinos, escorados na arrogância, tudo em nome da rivalidade e, portanto, com o aval para ofender adversários e posar como os maiorais.
 
Fato é que…
 
Perderemos, de novo, a chance de crescer na derrota. Por quê? Pois somos pentacampeões do mundo e isso nos faz muito mal. Não gostamos de esporte, queremos apenas vencer. Não importa de qual maneira chegar ao triunfo, tampouco se a Copa do Mundo tem 32 seleções e todas brigando pelo título. O que vale mesmo é a taça estar pintada de verde e amarelo, caso contrário nada valeu. Se fôssemos os donos da bola, o Mundial não chegaria ao fim.
A Bélgica não vale nada, assim como a França – as duas semifinalistas do Mundial. Assim como as outras duas seleções semifinalistas serão apenas coadjuvantes, afinal o Mundial perdeu seu maior protagonista.
O Brasil e o brasileiro não crescem nem na dor. A Bélgica é um ótimo time. Têm jogadores maravilhosos como grandes estrelas europeias e venceu com autoridade o Brasil. Uma seleção que não perdia há mais de 20 jogos.
O primeiro tempo terminou 2 x 0, mas poderia ter sido pior. Tite mexeu bem no intervalo, mas não foi suficiente para a virada. Ficou provado que não temos os maiores e melhores jogadores. Temos, sim, um bom time e jogadores talentosos, assim como a Bélgica e a França também os tem e assim como outros esquadrões que já deixaram o Mundial também contam com jogadores assim. Logo, ganhar ou perder faz parte…
Hazard foi melhor que Neymar, assim como De Bruyne engoliu o meio campo brasileiro. Lukaku jogou muito na força física e também na técnica. O Brasil errou mais do que os belgas, por isso ficou pelo caminho.
O Brasil precisa tomar um banho de humildade. Isso faria bem ao esporte. Já o planejamento também deveria ser seguido à risca, pois quatro anos voam e 2022 já já estará aí… Tivemos bons momentos, assim como temos uma base forte e competitiva.
O problema é a derrota. É a empáfia e a arrogância de que somos os maiorais. Isso pode derrubar o atual trabalho de Tite, que depois de ser elevado a condição de “Deus” e quase unanimidade de norte a sul do país, é apontado agora apenas como um cara que privilegia amigos e faz tudo por eles, afinal perdemos e isso é imperdoável.
 
Quanta covardia…
 
A Copa do Mundo segue. E eu continuarei curtindo os jogos, pois sou entusiasta do esporte e amo o futebol como espetáculo. Essa arrogância de que somos os melhores não me pertence, ainda bem…
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