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“Oswaldo Brandão tinha o Palmeiras e o Corinthians na alma”

mar 26 • Corinthians, Palmeiras, Times1 comentário em “Oswaldo Brandão tinha o Palmeiras e o Corinthians na alma”

O jornalista Mauricio Noriega lança o livro “Oswaldo Brandão, libertador corintiano, herói palmeirense”, o qual conta a história do lendário treinador que conseguiu fazer história nos dois maiores rivais paulistas. Acompanhe a entrevista com o autor, que revela detalhes das duas passagens de Brandão pela seleção brasileira e a sua frustração por não ter tido a chance de participar de uma Copa do Mundo. Confira!

Blog Salgueiro FC – Como nasceu a ideia do livro?

Maurício Noriega – O projeto começou em 2007, numa conversa com o meu pai, Luís Noriega, que era amigo do Brandão. Ele me deu a ideia de fazer o livro e fez os contatos com a família. Comecei a pesquisa e terminei de escrever o livro no ano passado.

– O que você espera passar com esta publicação? capa-oswaldo-brandao_imprensa-2

– Apresentar para as novas gerações o técnico Oswaldo Brandão, que tem histórias maravilhosas. Uma pessoa mítica, sensacional e que o Brasil, infelizmente, não tem como hábito cultuar isso.

– Por ser uma pessoa mítica, Brandão teve passagens maravilhosas na carreira. O livro traz muitas histórias do ex-treinador?

– O Brandão tem históricas espetaculares. No Independiente da Argentina, em 1967, o Brandão conquistou a melhor campanha da história do futebol argentino, com mais de 86% de aproveitamento. Essa história está contada no livro, com depoimento, inclusive, do Júlio Grandona, presidente da AFA, e que na época era diretor de futebol do Independiente.

– Como você define Oswaldo Brandão?

– Brandão era um cara intuitivo, de pouca cultura, pouco estudo e que chegou a trabalhar em estradas de ferro no Rio Grande do Sul para ajudar no sustento da família. Ele era desconcertante na sinceridade.

Tem uma história contada no livro, dos anos 70, da lendária academia do Palmeiras, que o Brandão vetou um jogador de uma excursão pela Europa com o argumento de que o atleta não viajaria porque estava com frieira.

– O Brandão fez história no Corinthians e no Palmeiras. Dá para dizer se ele era mais corintiano ou palmeirense?

– O Brandão sempre teve uma ligação muito forte com os dois clubes. O lado do Palmeiras pelo fato de ele ter sido jogador do clube. Já no Corinthians uma gratidão por tê-lo trazido de volta ao futebol, quando ele estava afastado e lhe dado a oportunidade de ser campeão paulista em 1954, em sua primeira passagem pelo clube.

Essa divisão entre Palmeiras e Corinthians está presente também na família do Brandão. O Márcio, seu filho, que faleceu muito cedo, era palmeirense, já a Regina, que está viva até hoje, felizmente, é torcedora do Corinthians.

– A Seleção brasileira esteve na vida de Oswaldo Brandão por duas vezes. Não ir a uma Copa do Mundo foi a grande mágoa do treinador?

– Segundo sua família, sim. Ficar de fora do Mundial foi a maior mágoa do Brandão, que classificou a seleção para a Copa do Mundo de 1958, mas não foi ao Mundial, dando lugar a Vicente Feola. Já em 1977 acabou sendo tirado da seleção após um empate sem gols com a Colômbia e substituído por Claudio Coutinho.

– O que jogou contra Brandão nas duas passagens pela seleção?

– O Brandão era um cara autoritário, centralizador e que sofreu muita resistência por causa disso. Ele participou de uma época de moralização do futebol brasileiro. Em sua primeira passagem pela seleção, impôs uma cartilha de conduta aos jogadores, que eram muito boêmios e isso não era bom para a imagem da seleção fora do país.

Já a sua saída de 1977 envolveu a política do país e o governo militar da época e está contada com detalhes no livro.

– Oswaldo Brandão deixou algum discípulo no futebol? Muitos falam em Telê Santana como o cara que chegou mais perto do estilo do Brandão…

– A primeira vez que o Telê Santana trabalhou na seleção em 1970 foi como auxiliar do Brandão. No entanto, ele considerava Carlos Alberto Silva, campeão brasileiro com o Guarani em 1978, seu sucessor natural.

Muita gente vê o Felipão parecido com o Brandão devido a família Scolari, o estilo paizão. Mas eles têm diferenças, óbvio. O Brandão era mais carismático. Há traços comuns.

– O que faltou ao Brandão para ele ser um nome conhecido internacionalmente?

– Faltou ir a uma Copa do Mundo. Talvez se tivesse participado de um Mundial teria mais reconhecimento internacional. O Brandão tinha muita dificuldade em se expressar devido à falta de cultura e educação formal e acabava sendo muitas vezes incompreendido até pelos jornalistas da época. Por outro lado, conseguia passar suas ideias de forma muito clara para os jogadores. O Brandão tinha a sabedoria do futebol.

– Oswaldo Brandão foi o maior técnico da história do Palmeiras e do Corinthians?

– Sem dúvida. Não entro no mérito das conquistas. O Brandão tinha os dois clubes na alma. Entender o clube, viver as entranhas de Corinthians e Palmeiras ninguém conseguiu como Oswaldo Brandão.

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